Endometriose: Sintomas, Diagnósticos e Cirurgias

A endometriose é uma patologia caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina.

É uma doença crônica, inflamatória, estrogênio dependente que atinge principalmente mulheres na idade reprodutiva.

Estima se que 15 – 20% das mulheres em idade reprodutiva e 40 – 50% das mulheres com infertilidade tenham endometriose.

Sintomas de Endometriose

Os principais sintomas clínicos de endometriose são: dor pélvica, dificuldade de engravidar e presença de massa pélvica em mulheres na idade reprodutiva.

Embora estas manifestações sejam muito sugestivas de endometriose, não são exclusivas desta doença e requerem o diagnóstico diferencial com: aderências, síndrome do intestino irritável, doença inflamatória pélvica, cistite e neoplasias.

A dor pélvica pode manifestar como:

  • Dismenorreia (dor tipo cólica durante o período menstrual), nas mulheres com endometriose, a dismenorreia tem um padrão de intensidade forte e caráter progressivo;
  • Dor pélvica crônica (DPC), quando persiste por mais de seis meses. Pode ser cíclica ou não, tende a agravar na fase pré-menstrual e permanecer após a menstruação;
  • Dispareunia (dor localizada no interior da pelve durante o coito vaginal);
  • Dor associada a função intestinal (disquezia) é uma dor ou na região desconforto pélvico, associados ao ato de defecação. Nas mulheres com endometriose, pode ocorrer na fase menstrual e pode estar relacionada a doença localizada na vagina e no reto. Algumas mulheres com endometriose descrevem na fase menstrual uma sensação de inchaço e distensão abdominal;
  • Dor ou desconforto associado ao ato da micção. Pode estar associada à doença localizada na bexiga.

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Locais mais Acometidos pela Endometriose:

  • Ovários,
  • Fundo de saco anterior e posterior,
  • Região posterior do ligamento largo,
  • Ligamentos uterossacros,
  • Útero,
  • Tubas uterinas,
  • Cólon sigmoide,
  • Apêndice
  • Ligamentos redondos,
  • Vagina,
  • Colo do útero,
  • Septo retovaginal,
  • Ceco e íleo,
  • Cicatrizes de cirurgias anteriores,
  • Trato urinário (bexiga e ureteres)
  • Região umbilical.

 

Diagnóstico

Os sintomas da endometriose são variáveis, sendo as queixas mais frequentes dismenorreia, dispareunia de profundidade e dor pélvica.

Frequentemente o tempo percorrido entre o início dos sintomas até que se estabeleça um diagnóstico definitivo ultrapassa os dez anos.

O diagnóstico da endometriose baseia-se em uma tríade contendo dados clínicos, exame físico e exames de imagem.

Os sintomas referidos pelas pacientes, dismenorreia, dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica, alterações intestinais (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias (disúria, hematúria, polaciúria acompanhando o fluxo menstrual) e infertilidade.

O exame clínico apresenta limitações para esclarecer a extensão e profundidade das lesões, tornando necessária a utilização de outros métodos para auxiliar no diagnóstico e estadiamento da doença.

Embora o diagnóstico de certeza da endometriose seja através videolaparoscopia com biópsia, outros métodos não invasivos (clínico e imagem) são importantes para elucidação, assim como, para a decisão de como e quando realizar procedimento cirúrgico.

Atualmente o ultrassom transvaginal (USTV) e a ressonância nuclear magnética de pelve (RNMP) são os principais métodos utilizados na detecção e estadiamento da endometriose.

Nos casos de endometriose profunda com comprometimento intestinal e urinário pode ser necessário a utilização de outros métodos como a colonoscopia e a urografia excretora.

Mais recentemente a ultrassonografia com preparo intestinal vem sendo utilizada no diagnóstico e estadiamento da endometriose profunda, principalmente para comprometimento intestinal.

O diagnóstico clínico e por imagem muitas vezes é suficiente para o início do tratamento, sendo a cirurgia indicada para os casos mais graves (massas pélvicas, infertilidade, comprometimento do sistema intestinal e urinário) ou nas pacientes sem resposta adequada ao tratamento clínico medicamentoso.

 

Videolaparoscopia e Endometriose

Tradicionalmente a via cirúrgica mais utilizada para abordagem da endometriose durante muitos anos foi a laparotomia, porém, a partir da década de 80 com o surgimento da videolaparoscopia, os cirurgiões passaram a utilizar esta via para o diagnóstico e tratamento da endometriose.

Por tratar se de uma técnica inovadora para época a videolaparoscopia enfrentou inúmeras críticas e objeções, porém, ao longo dos anos mostrou ser superior a laparotomia principalmente por apresentar menores índices de infecção, utilização de menores doses de analgésicos, internações mais curtas, incisões mais estéticas, além de, melhor recuperação pós-operatória.

Atualmente a videolaparoscopia é utilizada em muitos hospitais para abordagem cirúrgica da endometriose, para realização desta técnica alguns fatores são importantes, entre eles:

  • Equipe médica treinada e habilitada para realização de videolaparoscopia;
  • Estrutura física e equipamentos hospitalares adequados para realização da abordagem laparoscópica;
  • Condições clinicas favoráveis para utilização da técnica laparoscópica;

A técnica laparoscópica consiste na realização do procedimento cirúrgico através de pequenas incisões realizadas na parede abdominal, por onde são introduzidos os materiais utilizados durante o procedimento.

Para realização do procedimento é necessário a distensão da cavidade abdominal com gás carbônico (CO2).

As imagens do interior da cavidade abdominal são captadas e transmitidas até uma tela por um equipamento de vídeo, através da qual o médico cirurgião acompanha cada procedimento executado.

O aprimoramento dos equipamentos e materiais ao longo dos anos permitiu ao cirurgião imagens mais claras e definidas e a realização de procedimentos mais seguros.

É muito importante deixar muito claro que a utilização da técnica laparoscópica para abordagem da endometriose deve ser individualizada para cada paciente e depende da habilidade da equipe cirúrgica e disponibilidade de equipamentos e materiais necessários para realização do procedimento.

Em algumas situações especiais como múltiplas aderências abdominais ou condições clinicas inadequadas a utilização da técnica tradicional (laparotomica) pode ser necessária.

 

Cirurgia Robótica e Endometriose

O uso da plataforma robótica para o tratamento cirúrgico da endometriose se justifica pela maior precisão, imagem tridimensional fornecida pela plataforma, que diminui o risco de   dano a estruturas sadias, além de realização de movimentos mais precisos diminuindo as perdas sanguíneas no intra-operatório e permitir uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

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A plataforma robótica está sendo utilizada principalmente em procedimentos de alta complexidade nos principais centros de referência para tratamento de endometriose.

A alta precisão e menor agressão aos tecidos sadios são as principais vantagens apontadas pelos cirurgiões robóticos.


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Endometriose: Sintomas, Diagnósticos e Cirurgias

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